Todos os anos durante a época da apanha da azeitona,
chegavam de lugares distantes, os ranchos de pessoas contratadas. Durante o
trabalho cantavam e as horas de descanso muitas vezes passavam-nas a dançar,
aliviando a fadiga. Todavia, o culminar da rotina diária era o tão esperado dia
da adiafa. Neste dia, os patrões efectuavam os pagamentos, preparava-se um
banquete e no final do dia havia o bailarico. Ao toque do velho harmónio ou da
sanfona, com a ajuda de outros instrumentos caseiros, formava-se uma roda ou
mais e cantavam e dançavam. As músicas eram então levadas ao rubro a ponto de
se desafiar quem as dançava melhor. No final do dia, para fechar a festa,
fazia-se a tradicional entrega da bandeira aos patrões. Uma linda toalha de linho
bordada, decorada com a imagem de um santo, raminhos de oliveira e ouro quanto
bastasse e eis a apreciada bandeira tão ao jeito da habilidade feminina. Ao
terminar a festa era simbólicamente entregue aos patrões, como mostra da sua
satisfação em relação ao patrão que, na altura lhes dirigia algumas palavras de
gratidão e os contratava ou não para a época seguinte. Era assim, que durante a
temporada da apanha da azeitona se proporcionava um vasto intercâmbio de usos e
costumes que ao longo da história se foram "enraízando" e
enriquecendo a nossa cultura. Após exaustiva recolha de dados e informação,
formou-se o Rancho Folclórico e Etnográfico "Os Azeitoneiros" de
Alvorninha, trajando a rigor em homenagem aos seus antepassados e à sua actividade.